Era uma vez um monstrinho bem pequeno que vivia escondido atrás do sofá. Ele era meio gordinho, com alguns fios de cabelo bem fininhos caídos na testa, um narigão bem feio cheio de pêlos e uma pança engraçada, que balançava enquanto andava.
Quando aquele monstrinho chegou na casa de João, ele assistia seu desenho de sempre. De repente sentiu o sofá levantar um pouquinho, como se flutuasse lentamente. Assustado, deu um pulo e observou o sofá por alguns segundos. Nada. Então, sem mexer sequer um dedinho, gritou: “Mãe!”
A mãe de João não gostava quando ele gritava. E respondeu:
_Que foi, João?
_Mãe, corre aqui.
_Por quê? O que você aprontou?
_O sofá mexeu…
_Você quebrou o sofá?
_Não sei.
_Se ele mexeu, você quebrou.
_Huuum…será?
_Ai, João! Eu vou aí.
Ela olhou, olhou embaixo do sofá e não viu nada. Então falou pro João que devia ser impressão, que estava tudo bem com o sofá.
João, meio desconfiado, sentou-se bem devagar na ponta do sofá e correu para esconder seus pés. Ficou ali, quieto, mudo. Quando estava relaxando, sentiu a mesma sensação. O sofá mexeu de novo.
Então ele viu uma sombra embaixo do sofá. Estava suando, com medo, desesperado. Sem querer, deixou seu super-herói cair ao lado do sofá. Em segundos uma mão esverdeada puxou o boneco para baixo do sofá. João, com seus olhos arregalados, as mãos geladas e a testa pingando suor, tentou gritar para sua mãe, mas a voz não saiu. Então ficou ali, sem saber o que fazer.
De repente ouviu um barulho muito horrível. Era a barriga do monstrinho que estava lá embaixo, todo espremido e morrendo de fome.
Nesse momento, João conseguiu se mexer e saiu correndo, gritando, pulando como uma perereca. Sua mãe, assustada, falou:
_Que foi agora, João?
_Tinha uma coisa verde embaixo do sofá, mãe!
_Você derramou suco no sofá?
_Não, era uma mão verde, mãe!
_Você comeu mamão verde, João?
_Comi?
Depois de algum tempo, João conseguiu explicar para a mãe o que realmente viu embaixo do sofá. Então, sem acreditar, ela foi com ele até a sala e virou o sofá de ponta cabeça. Nada.
_João, a única coisa que tem aqui é seu super-herói.
_E foi a mão verde que puxou aí pra baixo.
_Essa mão verde não existe, João.
_Não?
_Foi a sua imaginação.
_Não foi, mãe. Eu vi. E até ouvi um barulho assustador.
_Mas aí não tem nada.
_Tô com medo.
_Você precisa ir dormir. Está tarde.
_Não quero.
_Eu te levo, vem.
_Deixa a luz acesa?
_Tá.
Depois de muito tentar, João conseguiu adormecer. Acordou de sobressalto com o mesmo barulho que ouviu na sala. Paralisado, com a cabeça coberta pelo edredom, ele tentava gritar, mas a voz ficava abafada lá embaixo. Foi quando ouviu passos. Tremia. Tremia tanto que mal conseguia raciocinar. Então percebeu que a luz se apagou. E o barulho continuava. Era assustador. Respirou fundo e gritou muito alto:
_Mããããããeeeeee!
_Minha nossa, João! O que foi?
_Tem alguém aqui.
_Embaixo do edredom com você?
_Não, no quarto.
_Mas, como você sabe que tem alguém se você está com a cabeça coberta?
_Apagaram a luz.
_A luz está acesa, João.
_Você acendeu?
_Acendi.
_Então apagaram.
_Eu apaguei, João. Você estava dormindo.
_Quando?
_Antes de acordar.
_Hã?
Moral da história: Sorte que contos infantis não são baseados em fatos reais.