Coisas de Paula

Artigos, textos, histórias, contos, alucinações, redação publicitária e afins.

17/10/08

É como se eu não tivesse mais nenhum segundo. Como se a conhecida frase “é agora ou nunca” estivesse no repeat em minha mente. Como se o relógio cismasse em correr, correr, correr. Os ponteiros sem cansar. O tempo voa.
Estou em transe, estou fora de eixo. Como faço para me encontrar?
Por mais que pergunte, procure e vasculhe, ninguém pode ajudar. Quero viver cada manhã sem temer a noite. Quero sentir o vento gelado sem temer o frio. Quero acordar com a certeza de que vai valer à pena. Que meu dia será por alguém. E que será por mim. Que será mesmo por mim.

criado por paulasjesus    10:22 — Arquivado em: Sem categoria

3/9/08

Sono

Ah, o sono.
Só quero dormir, ressonar, descansar, sonhar.
Os olhos ficam meio abobados.
Parados, pequenos, inchados, vermelhos.
Ah, o sono.
O café anima, o bocejo apaga.
A bala distrai, o bocejo só faz pensar na cama.
O travesseiro, o edredom, o pijama.
E a hora não passa, o relógio é teimoso.
Vai e volta, vai e volta.
Parece não sair do lugar.

criado por paulasjesus    16:22 — Arquivado em: Sem categoria

Ponto final

É um ponto final. Só um ponto.
Pequenino, ali no final.
Para alguns, imperceptível.
Para mim, essencial.
É um ponto, oras.
Só um ponto.
Mas é necessário.
Se tem um ponto, tem um ponto.
E ponto.

criado por paulasjesus    12:50 — Arquivado em: Sem categoria

2/9/08

Só 17 dias!

_Mãe, sabe quantos dias faltam pro meu aniversário?

_Quantos?

_Só 17 dias!

O Pedro me recebeu assim ontem quando cheguei em casa. Depois, enquanto tomava banho, lembrei de quando ele nasceu, dos primeiros dias em casa e do primeiro aniversário. E eu, com meus míseros 25 anos, já tenho motivos de sobra pra falar “Como o tempo voa”. Agora ele já sabe calcular quantos dias faltam pra completar 8 anos!
Minha vida pode ser dividida em duas fases – Antes do Pedro e Depois do Pedro. Impressionante como mudei depois que engravidei. Nos primeiros meses já incorporei o fato de ser mãe. Não foi fácil, desde o susto da notícia até a maternidade, nenhum segundo foi fácil. Minha cabeça ainda tinha resquícios da adolescência interrompida, mas meu coração já esperava ser mãe.
O Pedro nasceu, encheu a casa de alegria, de sorrisos, gargalhadas, cheirinho de bebê, brinquedos e cor.
Hoje ele já é um meninão. Os dentes já são aqueles enormes, as pintas se distribuíram pelo corpo, o pé cresceu tanto quanto o cabelo que ele cismou que quer deixar crescer. E eu apelo pro gel de vez em quando.
Ele é companheiro. Sempre está disposto a ajudar, participar, ir pra lá e pra cá.
O Pedro é a fonte de energia. Me fez acreditar que amor puro e verdadeiro existe.
Ele fala que eu berro muito. Eu digo que ele apronta um monte. Tenho certeza que nascemos um para o outro.

criado por paulasjesus    17:30 — Arquivado em: Sem categoria

29/8/08

Teste de visão

Acabei de ler Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Desde o início da leitura eu já imaginava o que ele quis proporcionar com esse livro. Digo proporcionar porque entramos na história como se fizéssemos parte dela, um personagem mais que real, literalmente. Talvez muitos considerem um absurdo o que virá agora, mas vivemos muito do que Saramago contou ali com sua epidemia lúdica, mas verídica. E é muito melhor ser cego do que enxergar quando mesmo assim não vê. Explico. Essa cegueira não é patológica. É constituída com o tempo, com o meio ambiente e com suas opções durante a vida. É uma cegueira que te permite simplesmente viver, respirar, dormir e acordar. E só. Essa cegueira é banalizada, não é ponto de mudança. Se não há ideal de deixá-la de lado, ela é bem-vinda. Nesse momento me lembro da frase “A ignorância é o paraíso”. É como posso retratar a cegueira. Quando se ignora, por falta de conhecimento mesmo, os erros, os absurdos, as repugnâncias e tudo de ruim que o ser humano faz. E, quando existe consciência, querer cegar para compactuar, fazer valer, somar esforços para que tudo continue como está. Ou piore.
Creio que não exista sequer um ser humano que não sofra dessa cegueira, mas raros são os que a reconhecem como ponto de partida para melhorar, crescer, tirar amarras, viver por um sentido, senão vários.

Enfim, que venha o filme. Talvez nos ajude a enxergar melhor.

criado por paulasjesus    17:02 — Arquivado em: Sem categoria

27/8/08

Domingos da infância

Ontem à noite lembrei os domingos da infância. Lembro dos ensolarados. Acordava com música e risadas. A risada da minha mãe sempre foi espontânea e alta. Muito alta. Ainda é, mas bem menos constante da época dos domingos da infância. Lembro que meu pai sempre acordava antes da gente, fazia filas com nossos tênis imundos para lavar. Depois era a vez da espuma em cima do carro.
As janelas abertas permitiam que o sol de domingo levasse seu calor para dentro da casa. Naquela época ele ainda trazia a vontade de pular da cama e aproveitar o dia, como dizia minha mãe. Meu pai sempre colocava LP na vitrola, mesmo com os famosos 3 em 1, com o CD ganhando o mundo, ele ainda queria o LP e seu saudosismo.
E o cheirinho de comida lá da cozinha tomava a casa inteira, até o quintal.
Minha irmã sempre dormia mais, acordava pra almoçar. Ficava desenhando pela madrugada e ouvindo músicas meladas. Estava apaixonada. Queríamos quartos separados a todo custo. Conseguimos. Mas, quantas e quantas noites eu arrastei meu colchão pro quarto dela e dormimos juntas de novo? Não sei dizer. Só sei que assim ficávamos mais perto que antes. O quarto dela era maior e tinha uma atmosfera um tanto artística, com seu cavalete, suas tintas e pincéis intocáveis. Eu não falava muito, era muito novinha, mas a admirava por suas pinturas, desenhos, técnicas descobertas, novos traços. O céu deve estar bem colorido, com suas aquarelas e nanquins.
Os domingos de infância eram bem aproveitados. Fora as brincadeiras na rua e os joelhos arranhados, a casa sempre estava cheia e à tarde ganhava mais um cheirinho típico daqueles domingos. Cheirinho de café. Eu nem tomava café, mas aquele cheirinho me dizia: “Logo o domingo acaba.” Final de tarde, logo já é noite. E eu corria para aproveitar todos os últimos segundos do domingo.
Tenho saudades. Muitas saudades de gostar do domingo.

criado por paulasjesus    14:22 — Arquivado em: Sem categoria

26/8/08

O monstrinho

Era uma vez um monstrinho bem pequeno que vivia escondido atrás do sofá. Ele era meio gordinho, com alguns fios de cabelo bem fininhos caídos na testa, um narigão bem feio cheio de pêlos e uma pança engraçada, que balançava enquanto andava.
Quando aquele monstrinho chegou na casa de João, ele assistia seu desenho de sempre. De repente sentiu o sofá levantar um pouquinho, como se flutuasse lentamente. Assustado, deu um pulo e observou o sofá por alguns segundos. Nada. Então, sem mexer sequer um dedinho, gritou: “Mãe!”
A mãe de João não gostava quando ele gritava. E respondeu:
_Que foi, João?
_Mãe, corre aqui.
_Por quê? O que você aprontou?
_O sofá mexeu…
_Você quebrou o sofá?
_Não sei.
_Se ele mexeu, você quebrou.
_Huuum…será?
_Ai, João! Eu vou aí.

Ela olhou, olhou embaixo do sofá e não viu nada. Então falou pro João que devia ser impressão, que estava tudo bem com o sofá.
João, meio desconfiado, sentou-se bem devagar na ponta do sofá e correu para esconder seus pés. Ficou ali, quieto, mudo. Quando estava relaxando, sentiu a mesma sensação. O sofá mexeu de novo.
Então ele viu uma sombra embaixo do sofá. Estava suando, com medo, desesperado. Sem querer, deixou seu super-herói cair ao lado do sofá. Em segundos uma mão esverdeada puxou o boneco para baixo do sofá. João, com seus olhos arregalados, as mãos geladas e a testa pingando suor, tentou gritar para sua mãe, mas a voz não saiu. Então ficou ali, sem saber o que fazer.
De repente ouviu um barulho muito horrível. Era a barriga do monstrinho que estava lá embaixo, todo espremido e morrendo de fome.
Nesse momento, João conseguiu se mexer e saiu correndo, gritando, pulando como uma perereca. Sua mãe, assustada, falou:

_Que foi agora, João?
_Tinha uma coisa verde embaixo do sofá, mãe!
_Você derramou suco no sofá?
_Não, era uma mão verde, mãe!
_Você comeu mamão verde, João?
_Comi?

Depois de algum tempo, João conseguiu explicar para a mãe o que realmente viu embaixo do sofá. Então, sem acreditar, ela foi com ele até a sala e virou o sofá de ponta cabeça. Nada.

_João, a única coisa que tem aqui é seu super-herói.
_E foi a mão verde que puxou aí pra baixo.
_Essa mão verde não existe, João.
_Não?
_Foi a sua imaginação.
_Não foi, mãe. Eu vi. E até ouvi um barulho assustador.
_Mas aí não tem nada.
_Tô com medo.
_Você precisa ir dormir. Está tarde.
_Não quero.
_Eu te levo, vem.
_Deixa a luz acesa?
_Tá.

Depois de muito tentar, João conseguiu adormecer. Acordou de sobressalto com o mesmo barulho que ouviu na sala. Paralisado, com a cabeça coberta pelo edredom, ele tentava gritar, mas a voz ficava abafada lá embaixo. Foi quando ouviu passos. Tremia. Tremia tanto que mal conseguia raciocinar. Então percebeu que a luz se apagou. E o barulho continuava. Era assustador. Respirou fundo e gritou muito alto:

_Mããããããeeeeee!
_Minha nossa, João! O que foi?
_Tem alguém aqui.
_Embaixo do edredom com você?
_Não, no quarto.
_Mas, como você sabe que tem alguém se você está com a cabeça coberta?
_Apagaram a luz.
_A luz está acesa, João.
_Você acendeu?
_Acendi.
_Então apagaram.
_Eu apaguei, João. Você estava dormindo.
_Quando?
_Antes de acordar.
_Hã?

Moral da história: Sorte que contos infantis não são baseados em fatos reais.

criado por paulasjesus    13:10 — Arquivado em: Sem categoria

22/8/08

Corre

Corre. Vai viver. Cada segundo é vida. Cada momento é memória. E ninguém te tira memória. E você nem pode esquecer o que quiser. Pode desviar, pode mudar o rumo. Tudo o que você sente hoje, ficará no passado e ficará no futuro. Cada brisa, sabor, pele ou aroma está eternizado em você. Então, corre. Vai viver.

criado por paulasjesus    9:45 — Arquivado em: Sem categoria

20/8/08

Já pensou?

Já pensou em sair pelo mundo, arriscar?
Pensou em lutar por uma causa sem medos?
E falar tudo, tudo o que está em sua mente?

Pelo menos uma vez por dia?

Quantas vezes você se olhou de verdade?
E como você se enxerga?
Já quis mudar a realidade?

 Adiantou?

Já avaliou sua vida?
E pensou o que você tem feito com ela?
Mudou alguma coisa?

Quis realmente mudar?

Você já entendeu seus princípios?
E já os usou para o bem?
Já desistiu de tentar?

Por quê?

Pensou que trabalha para acordar, dormir, comer?
E para quem enriquecer?
Afinal, quais são seus motivos para respirar?

Simplesmente viver?

criado por paulasjesus    12:32 — Arquivado em: Sem categoria

15/8/08

Eu quero mais tempo

Quero mais tempo para sorrir. Mais motivos para sorrir.
Quero mais tempo para o meu filho. Só quero um filho.
Quero mais tempo para minha família. Mais memórias.
Quero mais tempo para o amor. Muito mais tempo para o amor.
Quero mais tempo para o sol. Sem preocupação com sol.
Quero mais tempo para os amigos. Amigos que valham à pena.
Quero mais tempo para comer. Não engordar com tudo que é gostoso.
Quero mais tempo para promover a paz. Mais vegetarianos.
Quero mais tempo para viajar. O melhor investimento.
Quero mais tempo para ler. Mais cultura.
Quero mais tempo para escrever. Realizações.

criado por paulasjesus    18:17 — Arquivado em: Sem categoria
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